Isto é o género de divulgação institucional que a RTP2 faz, não é? A Câmara do Porto não anda com grande paciência para publicitar as iniciativas que promove, por isso adiantamo-nos. E esta vale bem a pena.

Acabou-se

Julho 1, 2010

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Só quandro as coisas úteis desaparecem é que notamos a falta que fazem. Tinha alguém reparado no excelente serviço público que o 24 horas prestava ao país? Não? Então habituem-se.

A selecção foi ontem eliminada pela Espanha.

O governo eliminou hoje a possibilidade de negócio da (espanhola) Telefónica.

(Qual mau perder qual carapuça.)

Mais, e principalmente: fecham hoje quatro fantásticas salas de cinema do Porto. O centro (na verdade não, o centro há muito que não tem salas de cinema) da cidade conta agora com apenas duas salas de exibição regular – o Campo Alegre e o Nun’Álvares. Acho que percebo agora o quão custoso é dizer adeus àquelas salas – este “agora” enquanto estado de reminiscência dos filmes que lá vi, depois de vasculhar na caixinha onde guardo os bilhetes de cinema. Não é um esforço de nostalgia emocional; é naturalmente que a minha consciênci me remete para os filmes (os bons principalmente, mas muitos dos maus também) que vi no “Cidade” quando tento prestar-lhe homenagem. E assim o farei.

Foi nessas salas que vi, entre muitos, o Closer, o Deathproof do Tarantino, o History of Violence e o Eastern Promisses do Cronenberg, o My Bluberry Nights do WKW, os últimos do Woody Allen (ah, o Matchpoint…), o (belíssimo) Belle Toujours e o (intragável) Cristóvão Colombo, do Oliveira, o Ninguém Sabe e o Andando do Koreeda, o Brokeback Mountain, Capote, Syriana, o Caché e o Lanço Branco do Haneke, o Les triplettes de Belleville, O Caimão do Moretti, os  portugueses (surpreendentemente bons)Odete e Onde bate o Sol, o Paranoid Park do Van Sant, o Broken Flowers (e este último a que não achei grande piada) do Jarmusch, as reposição do Gattopardo e do Voando sobre um Ninho de Cucos (sem dúvida das melhores sessões), Before the Devil knows you’re Dead, do Lumet, o Tetro (brilhante) e – provavelmente o melhor filme em estreia que lá vi – o Million Dollar Baby, do Eastwood. Despedi-me hoje, condignamente, com o Bad Lieutenent do Herzog.

Acabou-se.