Lo siento, vamos a tener que operar: usted tiene un grave caso de pdm.

Janeiro 21, 2010

“Médicos ao poder” por António Lúcio Baptista, médico. (no i de hoje)

Os médicos são das classes profissionais com uma das melhores formações. Há uma vertente quase espiritual na profissão. Se a relação médico/paciente é boa, aprofunda-se e o médico torna-se confidente. Muitos são ainda políticos, professores, gestores, autarcas, governadores, ministros, conselheiros de Sua Santidade. Da maioria temos boas referências. Quando Sócrates se viu atrapalhado, chamou a médica e provavelmente disse: “Sr.a dr.a, não sei que faça!” A médica ouviu os queixumes, deu-lhe esperança, avisou que não faz milagres, mas foi aliviando o sofrimento. Enfim o paciente ficou aliviado, já não grita. Sendo esta classe tão bem preparada, eficaz e inteligente, porque subscrevem os médicos medicamentos em vez de os prescreverem? A ministra [médica] – há quem lhe chame ministra da gripe – pôs o seu saber ao serviço do SNS e prescreveu a receita para um doente em estado muito grave. O doente não está melhor, mas já não grita. Está tranquilo, mas desenganado.

– Para a escolha do seu candidato presidencial, a direcção do PS hesita entre o poeta Manuel Alegre e o Dr. Povoas.

– Os meus médicos preferidos são o Dr. Pablo e o Dr. Nikolai.

– Da última vez que fui ao consultório do senhor doutor disse-me ele que me concederia três desejos se eu o esfregasse. Não duvidei da sua capacidade de me oferecer a vida eterna, toda a riqueza do planeta e – para não me chamarem de egoísta – a paz nos bairros de Lisboa; mas lembrei-me que não havia nenhuma farmácia de serviço ali por perto e vim-me embora.

– A minha tia diz que quem a curou foi uma nossa senhora qualquer de trás-os-montes; mas nós, homens da ciência, não acreditamos em milagres. Acreditamos, sim, no poder da sobre-prescrição de Xanax.

– Já corri as listas telefónicas e os meus contactos do Facebook, mas sem efeito: há por aqui algum médico que queira fazer o meu exame amanhã?

– Declaração de interesses: não estou doente; nunca desejo “saudinha” a ninguém no ano novo; sou beneficiário da ADSE.

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