Hoje estreia o Anticristo

Janeiro 28, 2010

«Existe nos E.U.A. um código da produção [cinematográfica] – o famigerado Código Hays (do nome de William H. Hays, seu inspirador principal) – datado de 1930, mais ou menos modificado posteriormente, e que indica um certo número de proibições. O argumento de um filme nunca deve aprovar a eutanásia nem justificar a vingança, pelo menos no que diz respeito à época contemporânea. A imagem não deve mostrar em pormenor assassínios brutais, e a técnica do crime de morte, sob a forma que se encontra descrita na literatura, não pode ser imitada. O emprego das armas de fogo tem de ser reduzido ao essencial. A descrição das perversões sexuais, subentendidas ou não, é interdita. Nunca se mostrará o parto, nunca se pronunciará a palavra aborto. São igualmente proibidas as blasfémias intencionais e todas as afirmações irreverentes ou grosseiras. As cenas em que alguém se despe são de evitar, assim como a exposição de certas partes do corpo humano, entre as quais o umbigo. O adultério e todo o comportamento sexual ilícito, por vezes necessário à construção da intriga, não devem ser tratados explicitamente, nem justificados nem apresentados a uma luz atraente. Não se deve nunca ridicularizar qualquer fé religiosa, e os ministros do culto, no exercício das suas funções, jamais serão apresentados sob um aspecto crapuloso ou cómico…»

in “A Crise de Hollywood” (1967) por Paul e Jean-Louis Leutrat

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«Louise, I’m the Vice President of the Coalition for Moral Order! My co-founder has just died in the bed of an underage black whore!»

Republican Senator Kevin Keeley, interpretado por Gene Hackman no filme “The Birdcage” (1996) de Mike Nichols.

chapter 6

Janeiro 26, 2010

It’s just a job. Grass grows, birds fly, waves pound the sand. I beat people up. Muhammad Ali

O capítulo anterior começava com uma citação do Evangelho de São Lucas. Imagino que este seja menos pacífico. 2, 1, Go!

“Médicos ao poder” por António Lúcio Baptista, médico. (no i de hoje)

Os médicos são das classes profissionais com uma das melhores formações. Há uma vertente quase espiritual na profissão. Se a relação médico/paciente é boa, aprofunda-se e o médico torna-se confidente. Muitos são ainda políticos, professores, gestores, autarcas, governadores, ministros, conselheiros de Sua Santidade. Da maioria temos boas referências. Quando Sócrates se viu atrapalhado, chamou a médica e provavelmente disse: “Sr.a dr.a, não sei que faça!” A médica ouviu os queixumes, deu-lhe esperança, avisou que não faz milagres, mas foi aliviando o sofrimento. Enfim o paciente ficou aliviado, já não grita. Sendo esta classe tão bem preparada, eficaz e inteligente, porque subscrevem os médicos medicamentos em vez de os prescreverem? A ministra [médica] – há quem lhe chame ministra da gripe – pôs o seu saber ao serviço do SNS e prescreveu a receita para um doente em estado muito grave. O doente não está melhor, mas já não grita. Está tranquilo, mas desenganado.

– Para a escolha do seu candidato presidencial, a direcção do PS hesita entre o poeta Manuel Alegre e o Dr. Povoas.

– Os meus médicos preferidos são o Dr. Pablo e o Dr. Nikolai.

– Da última vez que fui ao consultório do senhor doutor disse-me ele que me concederia três desejos se eu o esfregasse. Não duvidei da sua capacidade de me oferecer a vida eterna, toda a riqueza do planeta e – para não me chamarem de egoísta – a paz nos bairros de Lisboa; mas lembrei-me que não havia nenhuma farmácia de serviço ali por perto e vim-me embora.

– A minha tia diz que quem a curou foi uma nossa senhora qualquer de trás-os-montes; mas nós, homens da ciência, não acreditamos em milagres. Acreditamos, sim, no poder da sobre-prescrição de Xanax.

– Já corri as listas telefónicas e os meus contactos do Facebook, mas sem efeito: há por aqui algum médico que queira fazer o meu exame amanhã?

– Declaração de interesses: não estou doente; nunca desejo “saudinha” a ninguém no ano novo; sou beneficiário da ADSE.

Perturbado

Janeiro 19, 2010

foi como saí da sala de cinema. Não merece uma, merece várias palmas.

Le Goût de la beauté

Janeiro 19, 2010

é o nome do ciclo de homenagem a Eric Rohmer que começa esta 5a e termina na próxima 4a (27) no Teatro do Campo Alegre. Programação do ciclo aqui.

Câmara de Lisboa vai permitir casais gays nos casamentos de Santo António

Santo António, padroeiro gay? Nem tanto, mas a Câmara de Lisboa vai autorizar a inscrição de homossexuais nos seus casamentos de Santo António, uma cerimónia destinada a promover o matrimónio na cidade, e a que acorrem habitualmente casais carenciados que querem beneficiar dos apoios associados à iniciativa. (leiam o resto, vale a pena)

E é espectacular ver um país à beira da bancarrota com este inabalável sentido de humor. A Portugalidade é este binómio desespero sofrido-alegre leviandade; ich bin ein Portugueisich!