por falar em Nietzsche

Dezembro 24, 2009

Já não gosto do Natal. O folclore de luzes e prendas e música no coração que marcava as consoadas da minha infância deixou de me entusiasmar. Acabo de chegar a casa e tento esquecer esta época que agora significa para mim pouco mais que estudo, mau tempo e um estado de deriva que o corte abrupto com a rotina provoca sempre. Chateio-me. Estas noites são terríveis, não convidam à conversa, nem entre copos. É difícil ficar a conhecer melhor as pessoas, stressadas com o protocolo natalício, e acabo por me lembrar que só em Fevereiro volto a ter uma rotina (gostava de perceber a relação que tenho com esta palavra). Está tanto frio para conversar que preferimos ficar a ouvir pela milésima vez a “All I want for Christmas is you” ou o caralho, do que arriscar e dar aquele primeiro passo no arame a pensar “here goes nothing”. E chego a casa e leio os jornais que se foram empilhando durante a semana (grande crónica do Lomba no Público de ontem, grande reportagem do i sobre as lolitas portuguesas), e consulto os emails pela trigésima vez hoje e penso “não posso ver um filme a estas horas porque amanhã tenho que estudar e ajudar a minha mãe a arrumar a casa, e por a mesa, e lavar o cão” (temo que a minha escapadinha a Braga para  beber licor ecomer bananas tenha que ficar para o ano, com muita pena…). Vou escrever qualquer coisa no shakira. Mas, foda-se, amanhã é véspera de Natal, vou escrever sobre o quê? Lá acabo por ouvir uma música do Glen Miller para entrar no “espírito” – estou com muita preguiça para lutar contra o establishment. Amanhã vingo-me e venho para aqui escrever sobre as parecenças entre aqueles estandartes com o menino Jesus e a bandeira nacional-socialista.

Bom Natal.

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11 Responses to “por falar em Nietzsche”

  1. José Says:

    Estamos todos com muita preguiça para lutar contra o establishment. Deve ser por isso que ainda escrevemos blogues.
    Bom Natal.

  2. pmramires Says:

    Obrigado Leitão, ia escrever precisamente sobre a perda de magia do Natal. Sentimos precisamente o mesmo. Eu continuo a apreciar a época Natalícia por outras razões (não andar de metro, chocolates, dormir bastante, chocolates, comer muito e bem, chocolates, voltar ao campo, chocolates, etc), mas não é a mesma coisa.

    Bom Natal para todos.

  3. José Ricardo Costa Says:

    Não espere pela demora. Ainda antes de chegar à fase do Viagra, e sem dar por isso, irá dar por si no dia de natal a fazer zapping entre o Bravo Bravissimo na SIC, o circo do Mónaco na TVI e Do Céu Caiu uma Estrela na RTP. E então irá dizer: “Foda-se, eu devia ter logo percebido tudo quando dei comigo a ler a Gaia Ciência e a comer Ferreros Rochês ao mesmo tempo. É o princípio do fim.” E nem uma grade de minis o salva.

    JR

  4. pedro leitao Says:

    Do céu caiu uma estrela, sem dúvida…
    Não quero acusar o Nietzsche de nada, mas suspeito que ele também não achava muita piada ao Natal. Se calhar aos chocolates, que é coisa de Homem!

    Ramires, olha o estudo, eu sei que custa mas os exames estão mesmo ali ao virar do ano novo. Só queria que o menino me trouxesse vontade pra estudar, não lhe pedia mais nada.

  5. José Ricardo Costa Says:

    Mas olhe que o Nietzsche não apreciava muito coisas de homem. Era mais tipo super-homem.

    JR

  6. Daniela Says:

    o natal é tão espectacular que eu estou na net a ler blogues :) já se esgotou a conversa política sobre o cão fixe seria viver em comunismo :P
    eu tenho para mim que o nietzsche deveria oferecer cocó embrulhado de prenda de anos às pessoas, tem tudo a ver com ele!

    p.s- essas bandeiras/estandartes estão muito na moda também aqui em ermesinde. é chocante :O

  7. Sara Says:

    Eu digo-te sobre o quê! Pais Natais do inferno! É sobre isso que se escreve em vésperas de natal. :)

  8. pedro leitao Says:

    Divagar sobre a felicidade de viver num regime comunista à mesa na ceia de Natal para mim seria um desporto altamente radical (não seria bem uma conversa, nem um monólogo, acho que um delírio causado por demasiadas trouxas d’óvos). Hoje os meus pais e avós estiveram a recordar os tempos em que iam ver filmes à Baixa e os velhinhos cinemas que havia pelo Porto fora. Um tema tão agradável, para que criar mau ambiente? ;P

    Sara, explica-te, estás-me tentar dizer que o Pai Natal é um agente maléfico de destruição ao serviço do imperialismo americano? :O

  9. Daniela Says:

    hoje também estiveram a falar disso aqui à mesa… o meu avô esteve a contar as suas peripécias nos cinemas. que estranho :)
    só agora reparei que escrevi “cão” lá em cima :o que estupidez.
    é uma conversa bastante agradável, claro que não num comunismo ortodoxo daqueles parvos da história… vá, um daqueles que seria só nosso :)

  10. pedro leitao Says:

    estou com medo desse “nosso”. Já me conheces suficientemente bem, Daniela xD

  11. Tomás Says:

    Como membro honorário deste blogue e na ausência de intervenção dos seus autores sinto-me na obrigação de informar o seguinte:
    Daniela! Neste blogue, a não ser que meramente para embelezar o texto com eufemismos, usa-se a palavra “merda” e não “cócó”. you should know
    è por estas e por outras q eu sou o #1 fan e tu és a #2
    ahaha toma toma toma :p


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