Pelo menos

Agosto 28, 2009

Manuela Ferreira Leite pretendia, com o programa eleitoral do PSD, vincar, sem margem para dúvidas, a linha que separa o seu partido do de José Sócrates. Na verdade, não fez mais que deixar umas pistas, mais evidentes na área económica, mais ténues no restante programa. Quase que se adivinhava este desfecho quando a líder, há umas semanas, decidiu barrar à ala liberal do seu partido o acesso ao Parlamento. Não se estranha, por isso, que no âmbito social, sobretudo, os terreno laranja e rosa se voltem a confundir. É muito positiva a denúncia do “dirigismo asfixiante do Estado” na economia; mas nada é dito sobre esse dirigismo ao nível das relações sociais. Sobre a justiça, educação e segurança social apela-se a um ambiente de responsabilização e valorização da competência individual; mas o dedo do Estado continua a marcar o passo de muitos aspectos da nossa vida (de facto, de muitos aspectos que nos são demasiado íntimos). Apesar de tudo, não se esperava uma revolução no mais liberal (no tradicional sentido da palavra, sem o pejorativo “neo” a anteceder-lhe) partido português. É, por isso, de saudar um programa que, pelo menos, aponta um rumo nesse sentido.

*No espírito daquela mania que muitos têm de recomendar aos outros determinado “livro chave”, com o argumento de que se o fizerem contribuirão significativamente para o bem estar da humanidade, caio eu agora na tentação de fazer o mesmo com o On Liberty de John Stuart Mill, já aqui citado, senão a bem dos 6 biliões de pessoas deste planeta, pelo menos dos próprios leitores.

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Pecado capital

Agosto 25, 2009

(A qualidade deixa um bocado a desejar mas o YouTube não me permite melhor)

Abstinências

Agosto 25, 2009

«O caso dos Parses de Bombaim é um caso curioso. Quando esta trabalhadora e empreendedora tribo, constituída pelos descendentes dos adoradores de fogo persas chegou à Índia ocidental, obrigada pelos califas a fugir do seu país natal, eles foram recebidos com tolerância pelos soberanos hindus, sob condição de não comerem carne de vaca. Quando posteriormente, aquelas regiões caíram sob o domínio dos conquistadores maometanos, os Parses obtiveram destes a continuação da indulgência, sob condição de se coibirem de comer carne de porco. O que era, a princípio, obediência à autoridade tornou-se uma segunda natureza e, até aos nossos dias, os Parses não comem carne de vaca nem de porco. Embora a sua religião não exigisse esta dupla abstinência, esta transformou-se, com o tempo, num costume da sua tribo; e costume, no Oriente, é religião

[Tivessem os católicos ocupado a região impondo as suas abstinências particulares e os Parses não teriam durado muito tempo.] – Sobre a autoridade moral da opinião pública, nota de On Liberty, J.S. Mill

“Foi giro”

Agosto 20, 2009

disse Judite de Sousa no final da grande entrevista a Manuela Ferreira Leite, quando ainda estavam os microfones ligados e o genérico final a passar no ecrã. Responde-lhe a líder do PSD (versão fantasista, segundo Sócrates): “A-do-rei!!! A melhor entrevista de sempre! Vamos ser as melhores amigas Judite, oh vamos!”; (versão realista, segundo Ferreira Leite): “Já lhe respondi a essa pergunta, não tenho mais nada a dizer sobre o assunto”.

Bons filmes

Agosto 16, 2009

deste Verão, até agora.

1- RocknRolla, Guy Ritchie (2008); 2- Cabaret, Bob Fosse (1972); 3- Die bitteren Tränen der Petra von Kant, R. W. Fassbinder(1972); 4- Woodstock, Michael Wadleigh (1970); 5- Velvet Goldmine, Todd Haynes (1998);

E vós, que andais a ver nesta silly season?