Fã de

Julho 16, 2009

mordillo04wj6Mordillo. Fui estudar para casa da minha avó e reencontrei um dos meus livros preferidos de infância.

Hayek

Julho 8, 2009

(De onde mais poderia ter vindo?)

Hayek

Julho 8, 2009

It is true that the virtues which are less esteemed and practised now – independece, self-reliance, and the willingness to bear risks, the readiness to back one’s own conviction against a majority, and the willingness to voluntary co-operations with one’s neighbours – are essentially those on which the working of an individualist society rests. Collectivism has nothing to put in their place, and in so far as it already has destroyed them it has left a void filled by nothing but the demand for obedience and the compulsion of the individual to do what is collectively decided to be good. [The Road to Serfdom]

Noite dentro

Julho 8, 2009

O paraíso. São quase três da madrugada e ainda estão vinte e tal graus à luz do lampião pregado no terceiro andar. Noites de tanto calor só merecem que as festejemos vindo ler para a varanda, tal e qual como agora o faço – cadeira encostada no gradeado e os pés a arrefecer no granito fresco.

A sessão das dez à muito que acabou e, como os cafés à semana fecham mais cedo, só uma ou outra gaivota disturbam a paz caída no largo entre as árvores, a luz ténue dos lampiões e a água corrente do tanque. Ou melhor, as gaivotas e o jovem casal que acaba de chegar vindo da rua da esquerda, a tropeçar nas pedras soltas da calçada ao longo do seu caminhar cambaleante. É o álcool minha gente, o mais popular e o mais nobre dos vícios, que os guia. Riem e falam alto, balbuciam complexos discursos em latim e em grego e ignoram tudo o que os rodeia – até o tanque de água do qual se aproximam perigosamente. Ignoram o facto de, agora, estarem os dois molhados dos pés à cabeça, ou se calhar não, porque começam a cantar um meloso chorinho latino enquanto se abraçam e escorrem a água do corpo.

Penso egoistamente em despachar aquele toalhão roto que ainda guardo sem saber porquê. Tiro-o do armário e  lanço-o o mais longe que consigo. Indico-lhes, sem transparecer muita preocupação, a minha modesta ajuda. Já enrolados e um bocado mais secos, juntam as vozes e dirigem a mim e ao lampião de cima uma trova carioca em jeito de agradecimento, antes de desaparecerem aconchegados rua abaixo.

Eu não sabia explicar nós dois. Ela mais eu, porque eu; e ela não conhecia poemas, nem muitas palavras belas. Mas ela foi me levando pela mão; íamos todos os dois assim ao léu. Ríamos, chorávamos sem razão. Hoje lembrando-me dela me vendo nos olhos dela. Sei que o que tinha de ser se deu. Porque era ela, porque era eu.

Divulgação

Julho 4, 2009

Sonora: O Governo Sombra reuniu ontem de emergência para emitir a mais ajuizada opinião (aviso que ainda não a ouvi) sobre o touro Pinho, da ganadaria de José Sócrates. O sessão já está disponível na net, para quem se interessar (sim, tu, Leitão).

Escrita: Depois de uma edição subpar , a entrevista de Vasco Pulido Valente à Ler vale o preço de capa (com 12 páginas, é quase uma revista autónoma). Se eu fosse capado e rico é possível que tivesse escrito melhor história, teoria queirosiana, farpas na direcção de Maria Filomena Mónica, achincalhamento da nação: tudo servido com inteligência. Se VPV vale os 5€, o resto é mais-valia: Mexia a elogiar Júlia Pinheiro e a condenar o novo romance de Fátima Lopes a um público restrito: É, avisam-nos, um romance para leitores «dos 8 aos 80», mas apenas no sentido em que se destina a pessoas que ainda mal sabem soletrar ou que já estão com Alzheimer; Casanova a demonstrar mais uma vez a sua monomania – James Wood – e a abrir caminho a uma nova teoria da conspiração ao detectar inquietantes semelhanças entre Madoff e George Washington; as 80 páginas que ainda não li, porque a primeira leitura só contempla as paragens obrigatórias e os exames estão a apertar.

Rotundo

Julho 2, 2009

José Sócrates enquanto esfera armilar e brasão desafia a minha limitada capacidade hermenêutica.  De qualquer maneira, podiam ter escolhido uma moça mais fermosa ali para a esquerda do PM, o chefe.

Não se preocupem

Julho 1, 2009

Segundo o Expresso, a ERC concedeu a licença ao canal Hot TV, o primeiro canal pornográfico português. Acho que esta notícia vai ser interpretada como mais um acto intromissão do Governo na comunicação social (vai tudo sintonizar o porno e ninguém vai prestar atenção aos tempos de antena, vai ser o argumento, nunca expresso publicamente, da oposição), e uma medida eleitoralista. Na mesma notícia  informa-se que a programação está “estruturada em ciclos temáticos, contará com produções nacionais e internacionais, sendo estes sempre legendados em português”.

Estamos todos muito mais descansados, não vamos perder uma linha de diálogo em produções eslavas e orientais.

O artigo esclarece ainda que o canal terá “conteúdos para todos os gostos”,  que interpretei (talvez com excessiva liberdade) como mais um daqueles subtis eufemismos jornalísticos (“doença prolongada” é o mais perene), que neste caso significa que aquilo vai dar para todos os lados. É a pornografia a trilhar os caminhos da igualdade e inclusão.