D.

Maio 30, 2009

Ela percebeu instinstivamente: ele seria amável como o escuteiro da escola Ivy League que sabe que jamais deixará de ser um escuteiro enquanto viver. Mas que sente, no entanto, que lhe falta qualquer coisa e por isso se encosta a grupos como a companha Decadente. Se for para gestão, escreve. Se for um engenheiro ou arquitecto, pinta ou faz escultura. Há-de manter-se hesitante, sobre a corda bamba, consciente até ao ponto de saber que agarra o pior de dois mundos, mas nunca deixando de se perguntar por que é que há-de haver uma corda bamba ou ainda se ela existe, de facto. Aprenderá como ser um homem dividido, e continuará esse jogo, lutando até partir a corda e então será destruído.

Troquem um detalhe ou outro. Pynchon reduziu-me a uma banalidade num parágrafo.

*Descobri uma edição portuguesa de V. numa banca de livros numa feira de antiguidades, no que pensava ser um acaso. Segundo o meu exemplar, esta tradução é de 1989. Depois de ler as primeiras 70 páginas surgiram-me as ideias de que talvez V. tenha sido traduzido só para mim, sem que mais ninguém alguma vez tenha tido acesso a ele; de que V. esteja a ser escrito por mim num livro de páginas brancas que comprei por 5€ pensando que continha V.; de que Pynchon esteja numa localização que aparece distorcida no Google Earth, upstate New York, a bater cada carácter de V. no momento em que eu lhe pouso os olhos. A segunda é falsa, porque eu não conseguiria escrever V..

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