Moonlighting

Abril 28, 2009

Temos aqui outra coisa a funcionar.

Como já vem sendo habitual na imprensa e blogosfera, a discussão prende-se com detalhes inconsequentes, e dispersa-se em afirmações e contra-afirmações de heroísmo e homicídio; o essencial segue ignorado pela sobranceria de quem vê na realidade uma confirmação dos seus dogmas e é incapaz de com novos olhos reavaliar a situação presente: o Otelo tem unhaca de desencerar o ouvido no mindinho.

25 de Abril Sempre

Abril 27, 2009

Num dos cruzamentos pedonais mais movimentados de Braga um vagabundo que não garanto que se drogue troca música de flauta por trocos aos fins de semana, quase todos os do ano. A flauta é daquelas mesmo rascas, de plástico, e à qual é impossível arrancar uma nota melodiosa, garanto-o, bem tentei nos 5º e 6º anos, a minha educação musical completa. O tocador talvez não seja muito melhor do que eu, apesar da insistência com que pratica, e quase sempre o mesmo tema.

Indiferente, pelo menos exteriormente, às comoções políticas que o deixaram ser vagabundo e lhe permitiram, facilitaram, que se drogasse, se o quiser fazer: de joelhos, caixote de cartão na vertical, para o cestinho ficar mais próximo do bolso do benfeitor e dele exigir menos esforço, ocupava o lugar do costume no sábado. Quando a coluna de comemoradores&manifestantes, prós&contras, indistinguíveis, minoria ruidosa de fato de treino de sábado à tarde, todos mais velhos que Abril, seguindo obedientemente a carrinha sonora (o cenário evocava missa: o altifalante estridente – “25 de Abril Sempre”,o múrmurio indolente, cerimonioso – “Fascismo nunca mais”), avança pela rua fora sem mostrar hesitação em passar por cima do músico, um reaça, tá visto, ele desvia-se, para não ser pisado, levanta-se e raivoso atira a caixa de cartão contra a montra de uma loja. A sussurar incomprensibilidades instala-se uns metros atrás e continua: notas erradas, sibilos agudos, à espera de um tilintar.

*Citando, com variação de desacordo, Bierce: há dois instrumentos piores do que uma flauta – duas flautas. (clarinete no original)

Good Night

Abril 22, 2009

para a G.

Hoje apanhei numa mesinha baixa, até tive de me dobrar, uma revista académica, feita por estudantes. É um mau princípio, bem sei, mas a cara do Ricardo Araújo Pereira atraiu-me. Bem, não pela cara que é, mas pela cara de quem é. A capa anunciava entrevista e lá dentro dei com uma dúvida do RAP a que posso dar resposta.

A propósito das diferenças entre o ensino privado e público, o RAP diz: “Suponho que os cursos de Direito e Economia [da Universidade Católica] sejam exigentes e estimulantes como noutras faculdades, admitindo que esses cursos  possam ser estimulantes.”

Tenho o direito de responder por Economia, senão por Direito: pode. A espaços, curtos, e nada intensos. Tão pouco, aliás, que, mal passados, nem descortinamos já as razões porque sentimos esse estímulo, essa esperança, e tudo passa, como se uma alucinação, breve, induzida por números e pressupostos irrealistas, e refutada por uma observação um nadinha mais cuidada da realidade.

You were very gentle

Abril 17, 2009

O pôr do sol

Abril 15, 2009

O título é demasiado fácil, não está à altura do Lourenço Bray, mas o Shakira não está à altura d’o nascer do sol.