Homens de todo o mundo, retardai-vos

Março 30, 2009

Queria escrever aqui uma coisa em que vos transmitiria a imagem da Odete Santos a ameaçar um homem de pancada na cama, incentivando-o a continuar a dar-lhe prazer, coisa que já a Rosa Luxemburgo fazia na Berlim de ’17, e nem pensar que algum alentejano deixava a Catarina Eufémia a meio, insatisfeita no feno, ceifava-lhes logo um bocado, dos importantes. Como a execução desse plano consumiria demasiado tempo deixo-vos só a citação (via Hoje Há Conquilhas):

A cineasta Raquel Freire concede hoje, ao semanário Sol, a mais hilariante entrevista que tenho lido na imprensa portuguesa de há muitos dias para cá. Fazendo um rasgado elogio dos “sistemas marxistas”, onde “havia mais piscinas” do que no capitalismo, a realizadora de Rasganço“O sexo na Alemanha comunista durava mais tempo e era melhor. As mulheres, como adoptavam as doutrinas feministas, achavam que também tinham que ter orgasmos, que não eram só os homens. Já as mulheres da Alemanha Ocidental faziam um bocado o papel de bonecas insufláveis, como as nossas mães e as nossas avós. Na Alemanha comunista usavam-se métodos contraceptivos e estava muito mais presente a ideia do sexo pelo prazer e não apenas com o objectivo da reprodução.” compara os dois modelos alternativos de sociedade, centrando-se com nostalgia na Alemanha da era do Muro de Belim. E parece ver vantagens óbvias no comunismo:

Certamente tão espantado como eu com esta torrencial associação entre sexo e ditadura comunista, o entrevistador, José Fialho Gouveia, pergunta-lhe: “O comunismo combate a ejaculação precoce?”

Raquel não se atrapalha: admite logo que sim. “Provavelmente, mesmo que os homens ejaculassem depressa eram obrigados a continuar a relação e a dar prazer às mulheres.” Lembrei-me então daquelas célebres fotos dos beijos na boca entre Brejnev e Honecker – dois símbolos do anacrónico mundo comunista – destinados a selar a “solidariedade internacionalista” sob a foice e o martelo.

Nada melhor, com efeito, para combater a ejaculação precoce…

Da única vez que li o Sol fiquei com uma opinião muito fraquinha do jornal, mas então ele ainda concorria com o Expresso e não com o Inimigo Público. A julgar por esta amostra tem-se apresentado num nível muito superior desde esta redefinição da estratégia.

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8 Responses to “Homens de todo o mundo, retardai-vos”

  1. Tomás Says:

    Têm de abrir aqui um fórum do género “fale-nos da sua experiência”:

    “Desde que me tornei comunista aguento várias horas seguidas a fazer o amor com a minha mulher”

    “Obrigado Raquel Freire ( e shakira) pelo vosso conselho, Adeus ejaculação precoce!! Viva o comunismo!!”

    Sou só eu que gostaria de ver este tipo de reacções?! lol

  2. Belmiro Oliveira Says:

    Não tenho os conhecimentos de informática necessários para montar aqui uma operação dessa envergadura. À falta de melhor, espero que a caixa de comentários deste post vá servindo para esse propósito. Vinde, camaradas (mas sem vos virdes) e deixai aqui o vosso testemunho.

  3. pedro leitao Says:

    Vidi, non vici, sed veni me! xD

  4. pmramires Says:

    agora já percebi porquê que tanta gente anda com a camisola do che. há realmente uma causa pela qual vale a pena pegar nas armas :P

  5. Sofia SR Says:

    Acho que faz todo o sentido reduzir 1 ideologia politica ao orgasmo feminino e à ejaculaçao precoce. Agora sim, tudo faz sentido!

  6. Belmiro Oliveira Says:

    Ramires, acho que este argumento (fabuloso, é preciso dizê-lo) que a cineasta apresenta só justifica o uso de iconografia comunista por mulheres (ou por aqueles que querem ver os homens com performances mais prolongadas, podem não ser só mulheres, not that there’s anything wrong with that). Porque a possibilidade de ser obrigado, bem para lá do que a líbido permite, a performances inumanas, só é uma razão para o reaccionarismo. Faz favor de encarcerar esses vermelhos todos, não vamos nós ter de lhe dar sem descanso.

  7. pmramires Says:

    pois pa, mas isso é partindo da perspectiva de que um gajo (gaja) tem uma actividade sexual normal.
    eu parti da perspectiva de um gajo (gaja) que não tem actividade sexual.


  8. […] a ejaculação precoce (o filme passa-se, historicamente, antes da China Maoísta onde esse problema que não existia, como é sabido). Há uns primeiros vinte minutos em que a aura de sensualidade se vai compondo, […]


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