Os livros sagrados

Março 12, 2009

Na quarta temporada de The Wire uma das principais personagens (e talvez a mais famosa, porque está sozinho, e ocasionalmente acompanhado, na intersecção de três minorias demográficas, não há mais pretos ladrões de droga maricas na televisão) é presa por um crime que não cometeu, o que foi, da parte da polícia, um feito formidável, estatisticamente falando: tendo em conta a quantidade de corpos que este Omar Little deixou pelas ruas de Baltimore, a probabilidade de um qualquer cadáver ser obra sua era grande. O que o levou à cadeia não foi.

Assim, Omar sabe logo que está a ser alvo de uma campanha negra, em mais do que um sentido. É contactado por dois aliados, dentro da prisão, que daí em diante se encarregam da sua segurança. Fornecem-lhe uma faca improvisada, guardam-lhe as costas. Quando Omar tem de sair pela primeira vez da sua cela, que ocupa sozinho, os guarda-costas aparecem com uma rima de calhamaços flexíveis, tipo lista telefónica, e fita-cola. Revestem-lhe o tronco de livros, criando um colete à prova de faca.

Quando Omar é atacado na fila do refeitório, um local com uma taxa de mortalidade superior à da Serra Leoa nos filmes passados em prisões (The Wire não é um filme, mas é melhor do que quase todos), os livros amparam os golpes do preto revestido a laranja, que os esfaqueia por duas vezes. Omar usa os livros para se proteger dos ataques dos inimigos, e estes salvam-lhe a vida.

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