Bacalhau de contrabando

Janeiro 27, 2009

É quase pecado não abusar do mundo de oportunidades que a pirataria nos põe debaixo do nariz. Sobretudo quando a Deolinda (na voz, nas guitarras e no contrabaixo) decide apresentar, numa noite, três novas músicas do próximo albúm, perante uma audiência de mil e tal pessoas de cameras, telemóveis, magalhães em punho sedentas de novidades musicais. Eu, mais os meus dois capangas (chamemos-lhes “Inês” e “Pedro”) não fizemos, por isso, mais que a nossa obrigação:

O shakira, em co-produção com o DOL, apresenta nesta bombástica ante-estreia em jeito de trailer, o segundo álbum dos Deolinda, através de duas canções dignas da memória dos bons velhos tempos da boa música popular portuguesa. Concerto memorável, a Casa cheia, a Bacalhoa com tiradas regionalistas de fervilhar a exaltação do público tripeiro (“a próxima música chama-se “Lisboa não é a cidade perfeita”… mas isto para vocês não é novidade nenhuma.” ou, durante o MPA, “Agora não, que joga o FÊCÊPÊ!”) e a arrematar os três encore finais que puseram a Deolinda a suar em bica (ah pois, que os 15€ do bilhete eram para render até ao último cêntimo. E renderam mais que um putativo travesti – nunca dá para saber com toda a certeza – à noite na Trindade).

O Ary ficaria orgulhoso.

De mão na anca, descompõe a freguesa. Atrás da banca, chamam-lhe gosma e burguesa. Mas nessa voz, com insulto à portuguesa, há o sal de todos nós, há ternura e há beleza. Do alto mar, chega o pregão que se alastra. Têm ondas no andar quando embalam a canastra.

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4 Responses to “Bacalhau de contrabando”

  1. Belmiro Oliveira Says:

    Leitão, espero não te desiludir se te disser que as duas piadas localizadas foram repetidas, e convenientemente adaptadas aqui ao burgo, no concerto do TC. Não lhes retira piada, claro, e faz parte do espectáculo de um músico ensaiar as músicas bem como toda a performance. De alguns pelo menos. E há coisas que se faz uma vez e resultam, seria estúpido não repetir. Quanto às músicas novas, não tenho a certeza se foram duas ou três: a do notário, a do restaurante, e possivelmente uma terceira de que não me lembro. Só mais uma nota: as descrições das historietas das canções antes da sua interpretação cansa um bocado por se repetir entre cada uma delas. Não achaste?

  2. pedro leitao Says:

    Sim, tive essa noção. Mas povo reagiu entusiásticamente, saltou e esperneou, por isso who gives a fuck? xD

    As introduções às músicas eram um bocado inuteis, sim. Mas como nós estavamos mais interessados em saber se o que eles iriam cantar era música nova ou não, e a calcular o melhor momento para carregar no REC, não nos importámos muito com o facto.

    Ah, e vou finalmente à tua terra, ou burgo, ou como preferires. Noite fora com os amigos. Vê-lá se apareces! Vamos a um bar “não-sei-quê Sardinha” e a uma rua de uma santa qualquer que tem muitos bares… Não há que enganar. ;)

  3. Pedro Says:

    A outra música era a do autocarro. Muy interessante, quase tanto como o facto do meu nome e o da rapariga que escreveu acima coincidirem com os nomes fictícios dados aos dois burlões que contrabandearam estes vídeos (extremamente bem filmados sobre a possível pressão dos seguranças, masturbo o ego a quem tiver feito isto)


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