Huntington

Janeiro 13, 2009

Este autor foi-me ontem dado a conhecer pelo director do Público, no seu editorial, onde escrevia sobre a crise no Médio Oriente, tendo como mote a imagem que acompanha a notícia de capa da The Economist desta semana: uma foto que mostra dois autocarros em Inglaterra vandalizados por membros de uma associação ateísta, e onde aparece escrito: “Deus provavelmente está morto. Não te preocupes, goza a vida”. José Manuel Fernandes insurgia-se contra esta posição de passividade irresponsável face ao mundo que nos rodeia, fazendo a ponte com a política externa seguida pelas potências regionais (e mundiais) com responsabilidades directas ou indirectas no conflito israelo-palestiniano.

A propósito, JMF refere o trabalho de Samuel Huntington, cientísta político norte-americano, e a obra que o tornou famoso “The Clash of Civilizations”, onde o autor advoca a tese segundo a qual a ordem mundial pós-guerra fria se baseia na convivência entre diferentes civilizações (sete, para ser preciso) e que eventuais conflitos, a ocorrerem, terão explicação em antagonísmos culturais e não ideológicos, como se havia verificado durante todo o século XX. Huntington defende que, para compreender e intervir nestes conflitos, o focus da análise deve centrar-se nas incompatibilidades sócio-culturais dos intervenientes, remetendo o jogo estratégico-político do Estado para segundo plano (ao contrário do defendido por Francis Fukuyama, pupílo de Huntington, na sua obra mestra “O Fim da História e o Último Homem”).

O director do Público criticava o aspecto eminentemente “estadual” que a intervenção da comunidade internacional tem na tentativa de apaziguar o conflito, e a incapacidade de estas políticas se elevarem ao patamar civilizacional. Finalizava, com isto explicando o título do editorial da The Economist,  “The hundred years’ war”.

Anúncios

2 Responses to “Huntington”

  1. pmramires Says:

    um dia gostava de escrever um texto assim. expôr o assunto de uma forma séria e clara, sobre um acontecimento pertinente – momento kurosawa.

    agora em relação ao texto. o que eu ouvi falar é de uns autocarros que têm cartazes com essa frase, e que até vão andar a ‘passear’ por algumas cidades europeias. deve ser a isso que o jmfernandes se referiu – ou se calhar também houve isso do vandalismo.

    passando por cima da subtileza, muito estranha para ateus, do ‘provavelmente’, e não comentando a ligação na frase entre ‘gozar a vida’ e ‘Deus não existir’, o comentário mais incisivo que eu ouvi a isso (e que toca num ponto também ele absolutamente interessante) foi uma coisa assim (já nem sei onde li):

    ‘gostava de ver um autocarro destes a passear em teerão.’

    declaração de interesses: não só não me choca como não me importava nada de ver um autocarro desses; o cartaz deve estar cheio de gajas boas.

  2. pedro leitao Says:

    Desde quando é que um corte de cabelo não é um assunto pertinente? Falo a sério. Preferia que o Telejornal abrisse com essa notícia do que com a constante e enjoativa bajulação ao Cristiano Ronaldo, como ontem e hoje aconteceu e muito possivelmente se verificará até ao fim da semana. Obrigado pah ;)

    Quanto ao segundo ponto, tenho quase a certeza que li vandalismo, mas não ponho as mãos no fogo.
    E, apesar de não ser ateu, também gostaria de ver um autocarro desses a passear por ruas iranianas e, se não fosse pedir muito, por americanas também.


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: