Shakira Kurosawa

Meias

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A sic (tenho a impressão que a opção foi tomada também por outros canais, mas como não vi não comento) decidiu hoje aplicar ao seu telejornal um modelo adaptado e invertido daqueles programas que têm tradução para linguagem gestual. O modelo foi adaptado para servir outra minoria, as pessoas que sofrem de perturbações mentais incapacitantes, e invertido porque neste caso a emissão destinada a servir os  menos favorecidos pela natureza não estava a ser feita num pequeno canto do ecrã, mas ocupava-o todo.

Parece que há tipos a morrer às dezenas por dia no médio oriente (para não falar da situação no Congo, nem na Somália, que essas coisas não constituem, logicamente, notícias), mas a notícia que abriu, desenvolveu, e concluiu o telejornal foi o frio. O frio. Há tipos na Rússia, não vou falar dos suecos nem desses gajos ricos que têm saunas em todas as casas, mas há tipos na Rússia que suam do cu com 0º e que com 5º positivos já se lhes colam os tomates às coxas.

Mas batesse o mercúrio lá no fundo do termómetro, de tal forma que o mijo dum gajo congelasse antes de atingir a sanita, o que provocaria estilhaços na louça, será que se justificaria ir para a porta do colégio francês perguntar às criancinhas se levam cuecas térmicas vestidas? Andaram lá bem perto.

A melhor frase da noite ficou no ecrã durante uns três minutos, não fosse alguém perdê-la: “Vista várias camadas de roupa em vez de uma só”. Ou uma merda parecida. Acho que teria sido melhor manter o conselho no canto superior direito do ecrã, como o resultado dos jogos de futebol, assim sabíamos qual a quantidade de roupa a vestir enquanto fazíamos zapping. Ainda bem que o Balsemão me faz chegar este tipo de informações a casa. Bem que me podiam ter dito quantos pares de meias devia calçar para dormir, resolviam-me o dilema: dois ou um? Receio que me respondessem três.

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