Shakira Kurosawa

Cinemateca em Braga

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Parece que se impõe que eu me pronuncie por aqui acerca da petição online que reclama a abertura de um pólo, sub-pólo, sala-com-projector-de-filme, da Cinemateca Portuguesa em Braga.

Impõe-se porque ontem as audiências do canal dispararam graças a isto e a gente só aqui anda pela fama. Aliás, o título deste post não é mais do que um exercício de sensacionalismo cultural, uma espécie de “if Jornal de Letras and Tal&Qual crossbred”, à maneira do blurb literário anglo-saxónico.

E também devo dizer qualquer coisa porque, dos três que por aqui escrevem (e lêem, confesso que não vem cá muito mais gente), sou o único de Braga.

Em primeiro lugar, dava muito jeito. Há neste momento 16 salas de exibição de cinema em Braga e em qualquer semana à escolha há no máximo 8 filmes diferentes em exibição. 9 nas melhores semanas, e só porque o Bragashopping, abençoadamente, continua a teimar em exibir cinema alternativo na sua sessão de filmes de culto. Digo alternativo porque, provavelmente, para o espectador médio de cinema de Braga coisas como Cidade de Deus, Into the Wild, La Vie en Rose, são cinema do mais experimental que já viram (todos estes filmes passaram nas sessões de filmes de culto e foram pelo menos nomeados para Oscars, esses galardões do cinema obscuro). A isto não é alheio o facto de não haver um único equipamento cultural onde as pessoas possam adquirir o mais básico dos conhecimentos sobre o cinema e a sua longa história, onde se faça essa coisa vaga que é a criação de públicos.

O primeiro aspecto  da questão é se deve haver um pólo da Cinemateca em Braga ou não. À partida, se vier a existir um pólo no Porto, que é a 50km de Braga, pode parecer excessiva a criação de um em Braga. 50km já são muito menos do 366km (estou a confiar aqui no meu colega de blogue, não me apetece confirmar) e  a região Norte já ficaria mais bem servida com cinemateca no Porto do que como está actualmente.

Mas, depois de anunciada a intenção de desdobrar esse hipotético pólo portuense em três, passa a fazer sentido a deslocação de um para Braga. É difícil de justificar a instalação de 3 espaços de exibição (ou eventualmente dois, porque acho que a Casa Manuel de Oliveira não tem uma sala de exibição [para que servirá ela então? dar solução a um imbróglio político?]) numa cidade que não tem hoje nenhum e recusar desviar um desses três para outra cidade, em que serviria mais 600 000 pessoas.

Depois há as questões práticas. Uma das primeiras é a localização. A minha ignorância quanto aos espaços apropriados não me permite ver muitas soluções: o cinema S. Geraldo é, salvo erro, propriedade da igreja, e não queremos logo à partida impossibilitar uma futura retrospectiva das Obras Completas de Russ Meyer; há o pequeno auditório do Theatro Circo e não me ocorre mais nada.

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