Bert Randolph Sugar

Outubro 31, 2009

Tem sido complicado gerir um espaço onde se admite a possibilidade de ao mesmo tempo a cama e a secretária estarem organizadas. Não sei se me estão a perceber: quando um gajo acorda e desfaz a cama toda, a acção que vem a seguir é pegar em toda a roupa da semana, devidamente acumulada em cima da cadeira, e fazê-la remoinhar no conjunto de cobertores de onde se acabou de sair, para libertar a cadeira e tudo ficar oceanograficamente organizado. Isto é um quarto ideal. As trevas chegam quando no mesmo espaço se põe uma secretária: para onde um gajo vai lançar as merdas que insistem em ultrapassar os pesticidas e germinam fluentemente pela terra fértil sobre a tampa de madeira? Para a cadeira, respondem os senhores. Para o caralho, respondo-vos eu. Depois quando queria ir para a cadeira tinha que remodelar tudo. Não fazia outra coisa da vida senão trabalhar em recolocações estratégicas com vista a manter um ambiente saudável e que permitisse ao meu ser humano ter sempre um espaço onde viver qualquer que seja a hora do dia. E não me falem no correio azul de coisas para o chão, pois esse está mais povoado que a zona metropolitana de Tóquio, com as capas e essas coisas que se insiste em usar na faculdade em todos estes anos; mas não se preocupem com a minha mobilidade, eu mesmo abri um carreiro de acesso à porta, no meu Jordão. Qualquer tentativa de procurar organizar isto está fora de questão, e então decidi ocupar a cabeça com melhores coisas. Não vos  vou chatear com as toneladas de chocolates que sabotam os meus dentes a cada semana que passa, mas com a minha incapacidade de discordar, frontal ou lateralmente, do grande Bert Randolph Sugar. Se um dia discordar de Bert Randolph Sugar não vou evitar dar-lhe uma cabeçada e roubar-lhe o chapéu, mas até hoje isso não aconteceu. Diz o Bert Randolph Sugar (estive a treinar e consigo dizer Bert Randolph Sugar mais rapidamente que Francis Albert Sinatra) que os mais potentes punchers da história foram, simultaneamente, Earnie Shavers e Max Schmeling. Qualquer outra pessoa do mundo que fosse questionada sobre o assunto, lá iria referia o George Foreman, o Mike Tyson ou, para dar ares de gente que sabe, o Jack Dempsey; daí ser importante que haja pessoas onde a clarividência e a perspicácia conseguiram triunfar. Não sei se o whiskey e os charutos têm alguma coisa a ver com isto, mas há um conjunto relativamente grande de seres humanos amantes de whiskey e de charutos que conseguiram escalar ao topo da minha admiração. Qualquer dia reinicio a minha odisseia pelo mundo dos charutos, a ver se também lá consigo chegar.

7 Responses to “Bert Randolph Sugar”

  1. Tomás Says:

    genious!!! tavas inspirado :p

  2. pmramires Says:

    eu estou sempre inspirado, mas por vezes não se nota…

  3. Morales Says:

    Muito bom! Tb gosto muito da personagem. Sempre que, no incessante zapping em que se tornou a minha forma de ver tv, passo pelo ESPN Classics e o senhor lá está, tenho que ficar a ouvir o que ele está a dizer, mesmo que metade dos nomes que ele diz sejam, para mim, totais desconhecidos (como são Earnie Shavers e Max Schmeling). lol

  4. pmramires Says:

    estou a ver o Rogério Alves na sic a comentar ‘o futebol do sporting’. depois do ‘caso maddy’ e das ‘incidências com Marinho’ é uma novidade.


  5. soulmate, dá cá um abracinho!

  6. pmramires Says:

    linkaste-me. estou tão emocionado.


  7. ok. e tu fizeste-me rir.


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