O fim de semana foi assim
Novembro 22, 2009
I wish I was a neutron bomb, for once I could go off
I wish I was a sacrifice but somehow still lived on
I wish I was a sentimental ornament you hung on
The Christmas tree, I wish I was the star that went on top
I wish I was the evidence, I wish I was the grounds
For 50 million hands upraised and open toward the sky
I wish I was a sailor with someone who waited for me
I wish I was as fortunate, as fortunate as me
I wish I was a messenger and all the news was good
I wish I was the full moon shining off a Camaro’s hood
I wish I was an alien at home behind the sun
I wish I was the souvenir you kept your house key on
I wish I was the pedal brake that you depended on
I wish I was the verb ‘to trust’ and never let you down
I wish I was a radio song, the one that you turned up
I wish…
I wish…
I guess it never stops
Anna Karina
Novembro 20, 2009
Amanhã vou fazer isto na praia. De manhã.
Novembro 18, 2009
Carax, David Bowie e Rocky Balboa.
Acaba aqui, a minha semana.
The Retirement of a Favourite Clown
Novembro 17, 2009
Do as little as possible and that unwillingly, for it is better to receive a slight reprimand than to perform an arduous task.
O lema da família Lewis, segundo Michael Lewis.
Esporadicamente
Novembro 16, 2009
Devido a uma situação constrangedora que se passou no metro, a partir de hoje só faço desportos em que o prazer neles obtido seja muito superior ao esforço físico neles despendido. Nisto se engloba os flippers, o bilhar, o martini, os finos, o poker, a roleta, o investimento na bolsa e, esporadicamente, o futebol. E agora vou trabalhar, pois constatei que não quero ser expulso de casa.
O textinho anterior a este, rima ou o caralho no fim das frases, o que o torna instantaneamente uma valente merda
Novembro 16, 2009
Na última sexta-feira, voltava com um amigo de uma festa de anos debaixo de uma torrente de água que só não absorvi porque usava um excelente impermeável, quando fomos abordados por quatro homens. Dizia eu já mal da vida quando aquele que aparentava ser o mais velho os introduziu com a seguinte conversa:
-Boa noite. Nós não conhecemos muito bem esta zona e o meu filho domingo vai casar… Não sei se estão a perceber…
Ainda não estava totalmente seguro que de seguida não ia ser enrabado quando o meu amigo decide entrar em diálogo com o senhor.
-Ah!… estou a ver. A mais famosa é o Éden (sobejamente conhecida casa das putas na zona industrial da Varziela, salvo erro; é perfeitamente visível por quem faça a viagem de metro entre a Póvoa e a Trindade), ali para os lados da Varziela.
-Sim, nós essa conhecemos, mas estamos à procura de uma coisa mais caseira, mais familiar… – interrompeu o mesmo senhor.
-Há uma ali perto do metro – este sou eu, com uma voz alquebrada (palavra de que gosto muito) –, junto à estrada nacional, logo depois da câmara.
-Essa não. Ouvi dizer que é muito rasca – objecta o meu amigo. Uns apartamentos por detrás do estádio do Varzim têm boa fama, mas aconselhava-o a ir procurar em Aver-o-Mar.
-Pois vamos procurar por aqueles lados então. Obrigado moços – concluiu o nosso interlocutor.
E com isto se dirigiram para um carro vermelho, cujo modelo não estou certo mas era um Peugeot qualquer. O senhor que nos falou devia ser pai daquele rapaz (não lhe dava mais de 20 anos) que seguia à sua frente, e os outros aposto que correspondiam ao cunhado e a um tio. Há sempre um cunhado e um tio numa merda destas.
Esta situação, chamemos-lhe caricata, conduziu-me a uma reflexão social sobre a casa das meninas. A dispersão da casa das putas diz-nos, e a sua abundância sugere-nos, que as mesmas se destinam a um público mais abrangente do que aquele que muita gente supõe. Muitas casas com um aspecto exterior abjecto e com uma oferta quase industrial acolhem devidamente a classe mais baixa da população, onde, por norma, a tradição e o analfabetismo reina, e a sua frequência não é assim tão mal vista; porém, o número sempre em crescendo de casas ou apartamentos relativamente unipessoais, bem localizadas e bem pagos, leva-me a supor que o onanismo já teve melhores dias entre as classes ditas civilizadas.
Não estou muito por dentro do assunto (mas conheço algumas pessoas que estão e que se soubessem que eu escrevo isto (mas não sabem, não se regozijem) davam-me uma puta de uma coça que não punha mais aqui os pés), mas conheço histórias com o pormenor “casa das putas” pelo meio que, talentosamente, constituiriam matéria-prima para uma bibliografia bastante razoável, e que percorrem em toda a sua altitude a pirâmide social.
Uma delas é a de um rapaz que era tão onanista tão onanista que quando lhe levaram a um lugar desses, que lhe batessem uma punheta bem batida era tudo quanto desejava; e, aliás, foi tudo quanto teve.
(É verdade: a vaca que hoje de manhã foi chamar a funcionária para se sentar no meu computador (quando eu analisava criteriosamente os jogos da nba e nhl) só porque não queria estar num dos computadores de pé, devia era acabar numa casa destas, a grande vaca).
Volta, caro Manuel Pinho
Novembro 16, 2009
Tal como para Nicolau I os meses de Janeiro e Fevereiro eram generais em quem podia confiar, a Quimonda sempre foi a minha maior aliada no salão de jogos onde emerso para a prática do bilhar. A metamorfose na amplitude de tempo para o lazer e tempo para o trabalho em indivíduos que fizeram do bilhar (conjuntamente com o furto e o futebol), durante a adolescência, o seu modo de expressão numa sociedade opressiva, está a ter efeitos catastróficos na respeitabilidade com que eu vinha sendo encarado. Se este entrave ao desenvolvimento eficaz de um talento e de um ego em pela emancipação não for inteligentemente circunscrito nos tempos mais próximos que se possam adivinhar, fica apenas disponível a mim próprio o prazer vicário numa daquelas cadeirinhas nojentas a três metros do bilhar, acompanho de seres chocarreiros cujo taxionomia ainda está por definir. Se não querem que me torne ainda mais num ser ao mesmo tempo e do mesmo modo tonitruante e desprezível, subam aos campanários e façam-nos baloiçar até que o acto pecaminoso que originou a expulsão de Manuel Pinho da vida política seja esquecido e enterrado para sempre, e ele possa voltar à acção, empregando toda esta boa gente que trocaria o pequeno sucesso num amargo salão de jogos pelos turnos rigorosamente estúpidos e estupidificantes erigidos pela Quimonda, pois estes lhes trarão um salário ao fim de mês, e não uma forma de o gastar.
Contra os champignons burgueses
Novembro 14, 2009
Uma animação que me chegou por um amigo no Facebook: http://www.88by31.com/flashman/thepeoplesmario.swf (Sergei Eisenstein meets Nintendo 64).
Como se pode comprovar…
Novembro 14, 2009
1º ano da faculdade: 1,80m e 68 kilos.
4º ano da faculdade: 1,82m e 86 kilos.
…a variação da altura foi absolutamente normal.
Desmancha prazeres
Novembro 13, 2009
Encontrei ontem uma t-shirt de que gosto particularmente e que andava desaparecida há já demasiado tempo. Comprei-a em Madrid, numa loja meio designish, e tem ao peito um desenho que, no fundo, representa o nosso poder divino no que toca a decidir quantos pintos vão para o tacho e quantos para o aviário (ou seja, os que não chegam a provar o doce sabor da vida e os que são forçados a viver cada dia num autêntico inferno… para depois acabarem no tacho). Achei piada andar com estas provocações morais ao peito, por isso decidi comprar a t-shirt.
Estava a ler um daqueles calhamaços que tenho à cabeceira – e que lá ficam em média durante ano e meio – quando me deparo com o seguinte parágrafo:
«O ser divide-se segundo a potência a o acto. Um ser pode ser actualmente ou apenas uma possibilidade. Uma árvore pode ser uma árvore actual ou apenas uma árvore em potência, em possibilidade, por exemplo, uma semente dessa árvore. Mas há que ter presente duas coisas: em primeiro lugar não existe uma potência em abstracto; uma potência é sempre potência para um acto; isto é, a semente tem potência para ser azinheiro mas não cavalo, e se a tem para ser azinheiro não a tem para ser pinheiro. Quer dizer que o acto é anterior (ontologicamente) à potência. Como a potência é potência de um acto determinado, o acto já está presente na própria potencialidade. O azinheiro está presente na bolota, e a galinha no ovo, pela simples razão de que não há ovos sem mais consequências, ovos em abstracto, pois o ovo é por exemplo um ovo de galinha, no qual a galinha já está implicada, sendo a galinha que confere a potencialidade ao ovo.»
Já não bastava reduzir a minha reflexão moral sobre o assunto à troça filosófica, como vem também dar uma possível (e irritante) resposta àquele indecifrável enigma da nossa infância com que os adultos gostam de vincar a sua superioridade mental: quem veio primeiro, o acto em potência ou o acto em si? Aposto que o Aristóteles apanhava dos meninos grandes na escola.
Estejam à vossa vontade
Novembro 13, 2009
Sintam-se em casa para insultar, com toda a vossa imaginação, o Amare Stoudemire e toda a sua família. Eu apostei neste senhor o melhor que há em mim, e ele, ignorando a saída do Shaquille, não foi capaz de me agradecer com uns meros 20 pontos e 10 ressaltos por jogo. Já não me desiludia tanto com alguém desde o 12º ano, quando eu mesmo desbaratei a vitória no torneio de futebol num lance inqualificável. Vou tomar o pequeno almoço.
Cronologia de um golpe
Escutas nulas, disse o Supremo. Os factos, meus amigos, é que não são.
Pedro Lomba, Jurista
[Podem acompanhar mais este caso de forma pormenorizada, por exemplo, no Suction with Valchek. Mas talvez convenha a alguns continuarem a enfiar a cabeça na areia, não vá verem aquilo que não querem.]
Uma arma
Novembro 12, 2009
A propósito de ontem: já perceberam porquê que ele só precisava de uma mulher?
Passemos à fase seguinte.
Uma mulher
Novembro 11, 2009

Anna Karina, Vivre sa vie.
Robert Enke
Novembro 11, 2009

O Robert Enke não foi um grande guarda-redes, mas isso não o impedia de ser bastante melhor que o Quim. Também foi um gajo publicamente reservado, cabisbaixo, frio, aquilo a que se poderia chamar com toda a subjectividade um típico alemão. Tal como o Sebastian Deisler, estas coisas do futebol e da vida fodiam-lhe um bocado a cabeça. Este último, o grande talento alemão da última década (metia o Schweinsteiger num bolso), acabou a carreira ao 26 anos e reencontrou-se com o futebol nos Himalaias, quando num campo de terra encontrou uma equipa militar a dar uns chutos numa bola. O Enke teve outro destino, e por isso fica aqui a homenagem.
Robert Enke (2)
Novembro 11, 2009
Já agora: como é que ainda não se editou a compilação das crónicas d’ Abola do Ricardo Araújo Pereira? Aquelas merdices todas intelectuais sem piada nenhuma que ele escreve para a visão, não há ano que não saia uma compilação cá para fora; mas as crónicas fabulosas e geniais que escreve para a Abola, ninguém pega nelas. Porquê que, por exemplo, a Quetzal não as edita, com prefácio de Francisco José Viegas? Isso é que era bonito.
Robert Enke (1)
Novembro 11, 2009
Porque estou num blogue colectivo, porque sou um bocado doente e porque constantemente não me apetece exceder certos limites, procurei cultivar uma certa temperança entre a análise à primeira liga portuguesa de futebol feita no café e no blogue. Como não o consegui, não fiz (ainda) nenhum post sobre futebol português actual, nem da primeira nem da segunda divisão (apesar de não falar de outra coisa no café). Mas, como sempre, a excepção vai confirmar a regra, e hoje cheguei a casa consternado com a notícia do suicídio de Robert Enke.
Um gajo atura senhores como o guilherme aguiar (sim aquele candidato à câmara de Matosinhos que dirigiu ou teve responsabilidades na arbitragem da liga durante ‘o penta’) que não têm miolos para mais do que dizer que o Benfica tem sido levado ao colo, ou sportinguistas a babarem-se de satisfação quando o porto reduz a desvantagem em relação ao Benfica e a aumenta em relação ao sporting, ou gajos do braga que sofrem de dor de corno em relação ao Benfica, enfim, um gajo atura esta gente toda porque tem de aturar. Estamos num país livre e faz-se um esforço para ser civilizado. Mas quando nos fazem subsidiar a porto tv, também conhecida como rtp, onde os relatadores/comentadores de serviço nem fazem um esforço para disfarçar o seu anti-benfiquismo primário, começamos a querer direccionar o dinheiro dos subsídios de outro modo – por exemplo, e usando uma técnica pintodacostiana, para contratar seguranças que não permitam a entrada de cabeçudos da rtp no Estádio da Luz. E quero que a liberdade de imprensa se foda. Que façam como o Luís Freitas Lobo (o maior anti-benfiquista de sempre na televisão): arranjem um emprego a condizer, para os lados de alvalade ou do dragão.
Será este ano?
Novembro 10, 2009
Flamengo, com Adriano ao leme, rumo ao Brasileirão.
«Going back to the example of the oil industry, companies such as Shell, Esso and BP are normally involved in the whole cycle from exploration to refining to sales of petrol at the filling-station forecourt. Consequently, they can spread the costs of the riskiest element (drilling) across the return from the whole process. The Hollywood majors [são sete: Paramount, Universal, Fox, Warner, MGM, Disney e Sony] work on the same principle. They control production and distribution and, in many cases, are also involved in exhibition. This means that not only are the majority of box office revenues accounted for by Hollywood distributors and Hollywood product but the exhibitor’s cut very frequently ends up in the pockets of the US majors rather than with domestic players. So, as with the large oil companies, the expensive risk phase (i.e. production) is covered by total returns to the film company on each phase of the entire and ongoing process of supply to the consumer.
The accumulation of market power stretching across all phases in the vertical supply chain creates a number of important advantages for the US major studios. It ensures wide exhibition and therefore a dominant market position for the supply of their own products. Every film produced, even the failures, can be fed into the distribution business to achieve some earnings.»
Understanding Media Economics, Gillian Doyle (2002)
Gosto particularmente da última frase.
Jack
Novembro 6, 2009
Calma calma calma que o azeite está de volta. O shakira passou a agregado familiar – coisas que me fazem feliz. Impelido pelos dois primeiros posts desde o seu regresso, tenho a ousadia de lhe aconselhar o livrinho que em baixo se apresenta. Não é Jack Daniels, mas ajudou-me muito.

O essencial e o fait-divert
Novembro 6, 2009
Em três anos e uns pozinhos de estudo no Porto, o essencial foi ter descoberto a casa daquele bolo de chocolate. O fait-divert foi o curso de economia.
Um esquizofrénico esquecido no metro
Novembro 6, 2009
Ontem e hoje, pessoas completamente diferentes, deram-me conta, com todo o cuidado e gentileza, de duas características que possuo e das quais, porventura, não estaria ao corrente. Gostaria de lhes agradecer toda a atenção, mas garantir-lhes de que essas peculiaridades da minha idiossincrasia não só já se encontram detectadas como já me ocorreu uma explicação para elas.
A primeira, como muito bem repararam o Tomás e o Belmiro em plena Almeida Garrett, consiste na minha queda para a leitura declamatória em público. Sempre que me encontro fora do quarto desarrumado em que habito e um livro me vem ter às mãos, começa um murmúrio intermitente vindo das cordas vocais, uma imitação barata da litania dominical da minha avó em plena missa. O que explica o burburinho que se faz sentir ao meu lado sempre que leio um livro? As viagens de metro. Quem não gosta de se aborrecer e não escapa a duas horas e meia de metro por dia, tende a ler durante toda a viagem. Acontece que no metro é muito frequente ir sentado, por exemplo, entre um apreciador e divulgador de heavy-metal e um grupo de raparigas que partilham as suas experiências diárias. Como o limite da minha concentração quando o barulho e a demência tende para mais infinito é zero, se não murmurar, os meus olhos lêem o livro, mas aquilo que percebo é que no meio de uma música dos metallica a rapariga de cor-de-rosa se esqueceu de tomar a pílula, e isso, por norma, dá mau resultado.
A segunda característica denotada por um poveiro que, para já, como não tem blogue, passa pelo anonimato (o Tomás e o Belmiro têm blogue, mesmo que nele não tenham as mesmas funções), é a minha tendência para, em todos os livros e filmes, admirar, exaltar e concentrar aquilo que, segundo ele e um conjunto alargado de pessoas, é lateral, não passa do fait-divert, de um pormenor secundário, e desleixar toda a camada verdadeiramente importante que estofa o fundo de cada bom livro e bom filme. O exemplo mais aberrante terá ocorrido quando após a leitura de Margarita e o Mestre, pouco mais restar nas nossas conversas do que a minha paixão por Behemot, uns delírios existenciais sobre gatos e a preocupação estética com as gravatas e laços de Bulgakov. Quando me confrontei pela primeira vez com estas epifanias, sim, é verdade, tive que derrubar obstáculos psiquiátricos sensatamente colocados para conseguir elaborar uma explicação; mas hoje isso está completamente resolvido. Esta tendência para glorificar o pormenor, deve-se, em grande medida, ao completo aborrecimento que me abarca sempre me deparo com o essencial. O essencial, na minha vidinha, ou não foi uma opção ou foi demasiado chato; e eu, apesar de tudo, acho que nos devemos divertir, mesmo passando por um esquizofrénico esquecido no metro.
Coisas medonhas, o musical (ou: por favor tirem-me deste país que já não posso sobreviver a tamanha agonia)
Novembro 6, 2009
Respeitáveis leitores, a vossa atenção
Novembro 5, 2009
MOVIMENTO PELO CINECLUBE DO PORTO: pela reactivação de uma das instituições culturais mais importantes da história recente da cidade do Porto.
ASSINE O MANIFESTO,
a cidade agradece.
Pausa para o almoço
Novembro 5, 2009
Ontem atrasei-me a apanhar o metro e não consegui almoçar antes das três da tarde. Os restaurantes frequentáveis a essa hora já não servem refeições, portanto, dirigi-me a uma pizzaria perto de minha casa, que costumo frequentar quando os restaurantes frequentáveis já não servem refeições. Quando entrei passei por um jovem casal de namorados, dos seus doze ou catorze anos. Não prestei muita atenção, estava com pressa, a mochila é pesada e um casal de namorados não é coisa anormal. Sentei-me, veio o empregado de mesa, fiz o pedido e fui à procura do jornal desportivo. Estava a ser lido por um velhote enquanto almoçava, coisa para demorar meia hora, merda. Voltei à mesa e dei uma vista de olhos pela pizzaria. Estava quase vazia, pós hora de ponta, dois empregados relaxavam enquanto comiam o merecido almoço. Apenas um trabalhava, e chegava bem para a clientela. Pus-me então a observar o casal de namorados: ele com uma expressão nervosa, de quem está a fazer um enorme esforço para dar um ar de relaxado, e ela sorrindo-lhe, cúmplice, mas com uma tensão latente em todo o rosto, como que preocupada em vigiar tudo o que se passava à sua volta, talvez com vergonha de poderem ser observados, com medo de que aparecesse algum conhecido. Naquela pizzaria, a meio de um dia exausto para todos, por entre o rebuliço das mesas, das pizzas, das pessoas com pressa e dos empregados de mesa, um jovem casal de namorados concedia a sua aura de magia para quem a quisesse contemplar. Comi rápido e dirigi-me ao empregado para não esperar pela conta. Estava a entregar o troco ao rapaz. Fiquei feliz. Pagou ele.
Lá está a realidade a picar os gajos do The Onion
Novembro 4, 2009
Do Financial Times de ontem:
Young Anglican vicars are facing the prospect of a bleaker retirement after the Church of England’s pension scheme succumbed to the “cult of equity” and sank all of its investments into stocks towards the end of the 1990s bull market.
(…)
(…)He said the scheme had invested in equities because its pay-out date was a long way off and “equities will give you the highest returns over the long run”.
Pensions experts said the concentration in equities was unorthodox. The average UK scheme had just over half of its assets in equities last year and many plans are reducing that in favour of investments such as bonds. John Ralfe, an independent pensions consultant who has studied the accounts of all the church’s pension schemes, said the investment strategy was unusual – and highly risky – even by the standards of UK funds, which have long been biased towards shares.
“People who are putting money into the collection basket on a Sunday morning do not expect money to be gambled on the stock market,” he said.
Tem de vir o leigo ensinar a cautela e o conservadorismo ao vigário.
Bonequinhos, mas dos bons
Novembro 4, 2009
Momento
Novembro 3, 2009

Desde o regresso à rotina da faculdade que um dos meus maiores prazeres tem sido refugiar-me no único sítio desta cidade onde, ao fim do dia, longe de toda a confusão e reboliço, impera um estado de paz e acalmia que apenas é perturbado pelo planar destas graciosas amigas*. Não há de haver para mim coisa mais relaxante que pegar na canoa, entrar no rio e percorrer os poucos quilómetros que separam a Arrábida da Maria Pia (das muitas senhoras que abraçam o Douro as mais formosas). Agora digo que já vi o Porto de todos os ângulos – e este é sem dúvida o mais bonito.
(ontem, já de noite, reparei num eléctrico cheio de luz que descia muito lentamente a encosta arborizada de Monchique em direcção ao rio; lá no alto, atrás das palmeiras, a cúpula brilhante do Palácio de Cristal coroava a composição. Woody Allen, onde andas tu quando não está lá ninguém para filmar estes momentos?)
*foto daqui, dedicada ao Maradona.

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