MOVIMENTO PELO CINECLUBE DO PORTO: pela reactivação de uma das instituições culturais mais importantes da história recente da cidade do Porto.

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a cidade agradece.

Pausa para o almoço

Novembro 5, 2009

Ontem atrasei-me a apanhar o metro e não consegui almoçar antes das três da tarde. Os restaurantes frequentáveis a essa hora já não servem refeições, portanto, dirigi-me a uma pizzaria perto de minha casa, que costumo frequentar quando os restaurantes frequentáveis já não servem refeições. Quando entrei passei por um jovem casal de namorados, dos seus doze ou catorze anos. Não prestei muita atenção, estava com pressa, a mochila é pesada e um casal de namorados não é coisa anormal. Sentei-me, veio o empregado de mesa, fiz o pedido e fui à procura do jornal desportivo. Estava a ser lido por um velhote enquanto almoçava, coisa para demorar meia hora, merda. Voltei à mesa e dei uma vista de olhos pela pizzaria. Estava quase vazia, pós hora de ponta, dois empregados relaxavam enquanto comiam o merecido almoço. Apenas um trabalhava, e chegava bem para a clientela. Pus-me então a observar o casal de namorados: ele com uma expressão nervosa, de quem está a fazer um enorme esforço para dar um ar de relaxado, e ela sorrindo-lhe, cúmplice, mas com uma tensão latente em todo o rosto, como que preocupada em vigiar tudo o que se passava à sua volta, talvez com vergonha de poderem ser observados, com medo de que aparecesse algum conhecido. Naquela pizzaria, a meio de um dia exausto para todos, por entre o rebuliço das mesas, das pizzas, das pessoas com pressa e dos empregados de mesa, um jovem casal de namorados concedia a sua aura de magia para quem a quisesse contemplar. Comi rápido e dirigi-me ao empregado para não esperar pela conta. Estava a entregar o troco ao rapaz. Fiquei feliz. Pagou ele.

Do Financial Times de ontem:

Young Anglican vicars are facing the prospect of a bleaker retirement after the Church of England’s pension scheme succumbed to the “cult of equity” and sank all of its investments into stocks towards the end of the 1990s bull market.

(…)

(…)He said the scheme had invested in equities because its pay-out date was a long way off and “equities will give you the highest returns over the long run”.

Pensions experts said the concentration in equities was unorthodox. The average UK scheme had just over half of its assets in equities last year and many plans are reducing that in favour of investments such as bonds. John Ralfe, an independent pensions consultant who has studied the accounts of all the church’s pension schemes, said the investment strategy was unusual – and highly risky – even by the standards of UK funds, which have long been biased towards shares.

“People who are putting money into the collection basket on a Sunday morning do not expect money to be gambled on the stock market,” he said.

Tem de vir o leigo ensinar a cautela e o conservadorismo ao vigário.

Bonequinhos, mas dos bons

Novembro 4, 2009

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Como de costume, os elogios devem dirigir-se a barrio147@gmail.com.

Momento

Novembro 3, 2009

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Desde o regresso à rotina da faculdade que um dos meus maiores prazeres tem sido refugiar-me no único sítio desta cidade onde, ao fim do dia, longe de toda a confusão e reboliço, impera um estado de paz e acalmia que apenas é perturbado pelo planar destas graciosas amigas*. Não há de haver para mim coisa mais relaxante que pegar na canoa, entrar no rio e percorrer os poucos quilómetros que separam a Arrábida da Maria Pia (das muitas senhoras que abraçam o Douro as mais formosas). Agora digo que já vi o Porto de todos os ângulos – e este é sem dúvida o mais bonito.

(ontem, já de noite, reparei num eléctrico cheio de luz que descia muito lentamente a encosta arborizada de Monchique em direcção ao rio; lá no alto, atrás das palmeiras, a cúpula brilhante do Palácio de Cristal coroava a composição. Woody Allen, onde andas tu quando não está lá ninguém para filmar estes momentos?)

*foto daqui, dedicada ao Maradona.

Novembro 1, 2009

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Melodias de sempre

Outubro 31, 2009

A propósito da conversa sobre o legado da grande Milú, lembrei-me desta cena de ouro do cinema fascista português. Ah, a idade da inocência…

All the things you are

Outubro 31, 2009

A capacidade do Ali em se aguentar de pé enquanto leva porrada sempre foi o seu segundo ponto forte (o primeiro é a dança: se não fosse boxista o Ali teria mais sucesso que o Fred Astaire). Mas claro que o boxista com mais capacidade de se aguentar de pé enquanto leva porrada foi o Joe Frazier, e daí ser o meu preferido.

Bert Randolph Sugar

Outubro 31, 2009

Tem sido complicado gerir um espaço onde se admite a possibilidade de ao mesmo tempo a cama e a secretária estarem organizadas. Não sei se me estão a perceber: quando um gajo acorda e desfaz a cama toda, a acção que vem a seguir é pegar em toda a roupa da semana, devidamente acumulada em cima da cadeira, e fazê-la remoinhar no conjunto de cobertores de onde se acabou de sair, para libertar a cadeira e tudo ficar oceanograficamente organizado. Isto é um quarto ideal. As trevas chegam quando no mesmo espaço se põe uma secretária: para onde um gajo vai lançar as merdas que insistem em ultrapassar os pesticidas e germinam fluentemente pela terra fértil sobre a tampa de madeira? Para a cadeira, respondem os senhores. Para o caralho, respondo-vos eu. Depois quando queria ir para a cadeira tinha que remodelar tudo. Não fazia outra coisa da vida senão trabalhar em recolocações estratégicas com vista a manter um ambiente saudável e que permitisse ao meu ser humano ter sempre um espaço onde viver qualquer que seja a hora do dia. E não me falem no correio azul de coisas para o chão, pois esse está mais povoado que a zona metropolitana de Tóquio, com as capas e essas coisas que se insiste em usar na faculdade em todos estes anos; mas não se preocupem com a minha mobilidade, eu mesmo abri um carreiro de acesso à porta, no meu Jordão. Qualquer tentativa de procurar organizar isto está fora de questão, e então decidi ocupar a cabeça com melhores coisas. Não vos  vou chatear com as toneladas de chocolates que sabotam os meus dentes a cada semana que passa, mas com a minha incapacidade de discordar, frontal ou lateralmente, do grande Bert Randolph Sugar. Se um dia discordar de Bert Randolph Sugar não vou evitar dar-lhe uma cabeçada e roubar-lhe o chapéu, mas até hoje isso não aconteceu. Diz o Bert Randolph Sugar (estive a treinar e consigo dizer Bert Randolph Sugar mais rapidamente que Francis Albert Sinatra) que os mais potentes punchers da história foram, simultaneamente, Earnie Shavers e Max Schmeling. Qualquer outra pessoa do mundo que fosse questionada sobre o assunto, lá iria referia o George Foreman, o Mike Tyson ou, para dar ares de gente que sabe, o Jack Dempsey; daí ser importante que haja pessoas onde a clarividência e a perspicácia conseguiram triunfar. Não sei se o whiskey e os charutos têm alguma coisa a ver com isto, mas há um conjunto relativamente grande de seres humanos amantes de whiskey e de charutos que conseguiram escalar ao topo da minha admiração. Qualquer dia reinicio a minha odisseia pelo mundo dos charutos, a ver se também lá consigo chegar.

Outubro 28, 2009

Bingo!

Outubro 27, 2009

É hoje notícia no Jornal de Negócios os constantes e avultados prejuízos que as empresas de bingo do Porto (proprietárias, entre outros, dos antigos Cinemas Trindade, Olympia e Charlot) actualmente suportam, o que deve levar a uma reestruturação do sector do jogo. Uma nova esperança para as antigas salas de espectáculos da cidade?

Fenómeno paralelo aconteceu com os cafés históricos. Depois de uma época de declínio inverteu-se esta tendência e os cafés recuperaram o brilho e o público de outros tempos, sendo actualmente considerados agentes centrais do fenómeno de revitalização da Baixa. Sejam os velhinhos Progresso, Piolho, Aviz, Ceuta, Ateneia, Guarany, Quinta do Paço, Majestic, etc, ou todos os novos espaços da “movida” (que também acontece durante o dia), a verdade é que o público voltou a acarinhar o hábito de “cafezar” pela Baixa.

Libertas as salas dos bingos (Trindade, Olympia e Charlot), das igrejas evangélicas (Vale Formoso), dos parques de estacionamento (Lumière), das danceterias (Julio Diniz), não esquecendo os que estão abandonados (Nun’Alvares) e os que têm programação esporádica fruto de má gestão (Sá da Bandeira e Sala Bebé), poderemos em breve assistir a uma rejeição da habitual ideia que o mercado e os investidores  têm de que há sempre actividades mais rentáveis para estes espaços do que aquelas para as quais foram originalmente concebidos.

O próximo passo do desenvolvimento cultural da cidade passa por aqui, não tenho dúvidas. Haja audácia e ambição para se investir nas velhinhas salas de espectáculos. O público agradece.

Outubro 27, 2009

yX6zGzbltpqgk0szfoHuhT4to1_1280Mas uma senhora é uma senhora.

Não é que só tenha reparado há pouco, mesmo há pouco, antes de chegar a casa, mas efectivamente criaram-se condições se não para o genocídio pelo menos para o infanticídio das lojas dos chineses aqui na Póvoa de Varzim. E como quando se criam condições para algo isso tende a acontecer, isso aconteceu mesmo. Como digo, não é nada estranho, pois abundância com concorrência resulta em falência, mas cria pormenores potencialmente interessantes para o meu bolso como lojas dos chineses com um papelinho na porta a indicar 40% de desconto. Para averiguar com a devida profundidade este fenómeno não me tenho feito rogado e poucos são os azulejos made-in-china que ainda não privaram com a sola das minhas sapatilhas. Depois de dois relógios para os meus pulsos e um candeeiro aqui para a secretária, ofereci um secador à minha irmã (devidamente embrulhado numa saca da worten) para ela continuar com a ideia de que eu sou muito amigo, muito querido e muito fofinho.
Quando as lojas dos chineses começaram a germinar por aqui, não só as recebi com um sorriso como fui cliente habitual – não fosse a minha pessoa muito sensível aos preços. Só que um dia zanguei-me, pois comprei duas camisolas a 5€ cada e à segunda lavagem elas começarem a ficar com borboto e as raparigas começaram a notar e eu não sabia como explicar. Mudei para a Modalfa e, até hoje, dei-me bem.
Mas tal como um cacho estragado nos pode levar a uma indução errónea da qualidade da ramada, a roupa nos chinocas precipitou-me para um erro incalculável. Ao contrário do previsto, para lá da roupa tudo o resto se mostra fiável e com um índice de qualidade sinteticamente superior ao psi-20. E depois há mares de parafernália a explorar. Tal é a minha acutilância na busca do objecto esquecido que não me fustigaria de surpresa se da próxima vez que lá me dirigir na porta constar um bilhete a indicar uma subida dos preços na ordem dos 40%.
Uma andorinha não faz a primavera; mas um falcão entusiasmado, talvez.

Outubro 25, 2009

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Tendo a não levar as coisas até ao fim. Nunca sei se as deixo a meio se a um fio de as completar. Normalmente fujo e mudo de objectivo antes de o perceber, rumo a um novo porto onde não vou atracar. Pelo meio, procuro seguir a ondulação, aprendendo a gerir os altos e baixos. E mais nada.

Fado travesti

Outubro 25, 2009

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A belíssima cinematografia do degredo de Lisboa (ou de Tónia, para o caso é o mesmo).

(entretanto foi anunciado o candidato português ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro; a cinematografia portuguesa no seu mais belo degredo…)

ESTIMATED BENEFITS (REDUCED DAMAGES) IN 2010 FROM CLEAN AIR ACT ($ millions)
REDUCTIONS OF CRITERIA POLLUTANTS

Mortality*                               100,000
Chronic ilness
…..Chronic bronchitis              5,600
…..Chronic asthma                      180
Hospitalization
…..All respiratory                        130
…..Total cardiovascular            390
…..Asthma-related ER visits          1

*This is the estimated value associated with the reduction in premature mortality

Source: U.S. Environmental Protection Agency, “The Benefits and Costs of the Clean Air Act of 1990 to 2010″, EPA Report to Congress, Washington, November 1999

Apesar de ser prática corrente em estudos sócio-económicos, ainda sinto algum desconforto quando me deparo com estimativas monetárias de bens como a vida e o sofrimento humano. Como não há mercado para estes activos (por natureza, pessoais e intransmissíveis) o rigor científico obriga a estas tentativas esotéricas que levam a economia para o campo das ciências ocultas.

Qual o valor da felicidade? Como expressá-lo em unidades monetárias? Será o seu custo de oportunidade uma estimativa fiável para o valor da vida humana? Não teremos que a esse valor subtrair o da vida de além túmulo que, para quem nela acredita, é eterna e perfeita e, portanto, o seu valor próximo do infinito matemático? Mas, sendo assim, essa diferença não atribuirá à vida terrena um valor negativo e, supondo-nos seres racionais, a decisão mais lógica não seria acabar com esta vida de utilidade negativa e fruir da outra? Ou, por medo ou falta de fé, teremos de considerar um risco elevado de sermos mal sucedidos?

Vou voltar a estudar e ver se este livro de economia do ambiente me dá alguma resposta.

filmes dementes

Outubro 22, 2009

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Desperate Living. O início bem composto não deixa adivinhar o estado de insanidade mental que se agrava, em crescendo, da primeira à última cena do filme. Um génio da demência, este John Waters.

Não ganho comissão

Outubro 21, 2009

Nos dias de hoje

Outubro 21, 2009

Esta manhã, estava eu no metro ainda a tentar perceber a magnitude de tudo o que se passou ontem na liga dos campeões, quando olho para o lado e vejo um senhor de uma certa idade a ler, de pé, Camões. Não tivesse eu uma vida tão difícil e até lhe tinha dado o lugar.
Mas isto foi ao ir para o Porto e não ao vir, pois ao vir gerou-se uma importante discussão sobre a pertinência da escolha do Marrese Speights na 8ª posição do draft. Tão acalorada que vou agora mesmo para os fóruns do hoops. Basta ouvir uns foguetes para se fazer a festa, nos dias de hoje.

Isso é só no início

Outubro 21, 2009

A piada do ano veio do Guilherme e foi involuntária. Para percebê-la convém ter em conta que a média de espectadores do Cineclubeeconomia rondava as 8 pessoas (contando com a direcção) por sessão.
Diz o Tomás que em conversa com o Guilherme decide comentar-lhe, com orgulho, que na última sessão do cineclube já estiveram presentes 20 pessoas (um novo recorde). Ao que o Guilherme responde: deixa lá, isso é só no início.

Que nunca vos falte nada

Outubro 19, 2009

CartazFoi com surpresa que recebi a notícia: parece que umas pessoas para os lados de Kuala Lumpur ainda não sabem da existência do Cineclubeeconomia. Como não queremos que lhes falte nada, pedimos aos nossos amigos do barrio147 (barrio147@gmail.com) para nos fazerem mais um bonito cartaz. Muito obrigado a eles.

Outubro 19, 2009

Blue moon, you saw me standing alone
Without a dream in my heart
Without a love of my own

Blue moon, you knew just what i was there for
You heard me saying a prayer for
Someone i really could care for

(…)

volto à cegueira a reflexão sonora
há um lugar incerto onde aconteço
vou pela areia liminar de inverno
mexendo tão somente os vocativos

atei o vento à estaca de madeira
senhor de esquina lâminas da terra
e sonhei ser ateu e a ingratidão
descia na colina as redes de água

não vi não vejo os muros de brancura
os olhos que inventavam o aroma

só pouco a pouco afasto das palavras
o som que importa
pobre de quem ouviu e não entende
pobre quem entendeu e já não ouve.

António Franco Alexandre, n’A Perspectiva da Morte

I beg to report, Sir,

Outubro 15, 2009

que a distinta impressão de que havia sido chulado por  um impertinente vendedor de livros de rua ao pagar 5€ por um exemplar do The Good Soldier Schweik mais trocado que uma seringa na prisão se desvaneceu por completo assim que o capelão cristão nascido judeu e convicto ateu Otto Katz tomou Schweik como seu capelão. Eu continuo a saber que fui valentemente chulado pelo arrogante do livreiro, mas quando leio não parece.

22 de Outubro

Outubro 15, 2009

Entediado

Outubro 15, 2009

Isto é para aquela pessoa que costuma divertir-se como esta senhora nos últimos 43 segundos enquanto eu sigo os seus passos com uma cara semelhante à do Léaud na foto abaixo. Não tem de quê.

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Uns meus amigos que acabaram o curso em Julho dizem-me que estão a ter profundos problemas existenciais e que não sabem muito bem como lidar com eles. Comigo não vai acontecer igual pois os meus problemas existenciais profundos começaram no sétimo ano, quando fui para a escola com ténis novos e cheguei lá e foi feriado.  Eu não sabia lidar com aquele grave problema existencial, se foder logo à primeira as solas das sapatilhas e chegar a casa e apanhar com a colher de pau, se ficar a assistir ao lado das meninas que só gostam dos rapazes que jogam à bola. Fui à baliza.